quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

ADORÁVEIS EX - CAP. II

CAPÍTULO II - O 1º ENCONTRO COM O AMOR

Quando eu tinha 13 anos, estudava em um ótimo colégio e achava que tinha encontrado dois grandes amigos Bárbara e Diego. Por algum motivo que não sei explicar, achava que eles tinham me escolhido para ser amigo deles.

No ano seguinte sai do colégio, perdi o contato com eles. Lembro que nessa época não existia smartphone. Os contatos a distância eram realizados por carta, por chamada de telefone fixo e raramente por quem tinha um celular. E ter um telefone fixo passava a ser um pouco popular no ano de 2000.

Tanto estava começando a popularizar que haviam promoções de pagamento único por chamadas entre meia-noite e seis da manhã. Até outubro de 2000 eu não tinha para quem ligar, e nas eleições municipais daquele ano meu pai se candidatou a vereador.

Nesse processo eleitoral, o acompanhei em diversas caminhadas nos bairros da cidade, e em uma dessas caminhadas reencontro Diego “meu grande amigo”. Muito feliz por vê-lo, peço o número do seu telefone fixo e anoto na agenda do meu pai.

Obviamente meu pai não foi eleito, mas obteve 484 votos, o que não foi comemorado à época, embora devesse ter sido, pois foi um grande feito para alguém desconhecido.

Depois de ficar dividido entre duas mulheres em Setembro de 2002, a vida de adolescente seguia com ensaios no teatro. Até que encontro a agenda do meu pai, e lá se encontrava o número do telefone fixo de Diego “meu grande amigo”.

Ao ligar, ele quase nem me reconhece. Eu empolgado e ele totalmente sereno sem esboçar reação. Conversamos um pouco e ele se anima a visitar o teatro, tinha ele a vontade de aprender a se expressar e via ali uma oportunidade interessante, e no fim acaba se integrando ao elenco da trupe teatral.

Ele ainda estudava em um colégio particular, mesmo que não tão nobre, ali tinha eventos interessantes para os alunos. E em 23 de Outubro de 2002 o dito colégio realizou uma feira de exposições dos alunos. Diego esboçando algum tipo de simpatia, convida aos integrantes do teatro para ir. Leticia, a desengonçada falante leva duas amigas e uma delas....

Bem, é provável que essa amiga tenha modificado minha adolescência em todos os sentidos...

Ela ruiva de cabelos longos, magrela, com 1.75 cm de altura, vestia um jeans e uma blusa preta, tinha algo de estilo rock, mesmo que não curtisse. E pela primeira vez ouço o sotaque mineiro, ela era do interior de Minas Gerais, resultado: apaixonei!

Durante toda a exposição andamos lado a lado, eu tentando chamar atenção, e ela com uma confiança tímida, de que sabia exatamente como me provocar. Ela fazia eu passar por todas as exposições e experimentar inclusive comidas que nunca havia provado.

Obviamente ela não sabia que a comida era fake, e terminei passando um pouco mal com um falso sushi. Eu não sabia como fazer para beijá-la, ela era esperta, parecia saber o que fazia, parecia provocar para que eu tomasse alguma atitude, e eu não fazia ideia de como fazer.

Foi através dela que vi pela primeira vez que era possível ter um sorriso que brilhava junto com os olhos. Mas naquele dia nada rolou, nos despedimos e fui pra casa pensando no que não havia rolado.

Chegando em casa liguei meu rádio portátil e tocava “Outro Lugar” do Detonautas Rock Clube. A música dizia que ele ainda a encontraria...

Na semana seguinte era estreia da peça sobre a familia que lidava com conflitos de um filho dependente químico. Eu estava nervoso, era minha estreia, e mesmo em teatro amador, parecia algo importante, e haviam pessoas na plateia.

Tínhamos que estar concentrados, e enquanto a plateia ocupava seu espaço, fui informado que a ruiva estava no espaço de cultura e não resisti. Não me contive de ansiedade e mesmo vestido com a roupa do personagem, sai da concentração correndo, subi dois lances de escada e a encontrei um terraço acima do local de apresentação.

Não sabia o que dizer, e ela com um charme imenso, estava de vestido cinza e com sua bolsa preta pendurada no ombro. Ela parecia uma modelo saída da passarela e eu um bobo que não tinha palavras.

Na falta de palavras era melhor perguntar, e quis saber o que ela fazia no terraço, e ela disse que estava tentando assobiar, mas que não sabia como. Eu parei do seu lado, me sentei no muro do terraço e fiquei ensinando como assobiar, quando ela fez igual e conseguiu emitir algum som, dei um beijo na sua boca, e tudo flui com naturalidade.

Confesso que muitas vezes conto em conversas que aquele foi meu primeiro beijo. O charme que funcionou, as bocas que se encaixaram e o cheiro doce que invadia as narinas de forma suave. Tudo isso só foi interrompido pelo meu nome sendo gritado ao fundo: Alexandreeeeee.

Era Leticia avisando que a peça começaria e eu estava atrasado. Sai do beijo prometendo a mim mesmo que teria mais. Desci numa velocidade imensa, era a primeira vez que beijava alguém e tinha um clima de romance no ar. Meu coração estava acelerado, era uma empolgação que não condizia com o personagem que interpretava na peça, por dentro eu estava pulando de felicidade, e na peça tinha que estar triste e preocupado.

Durante toda apresentação, eu só queria olhar para ruiva, beijar a ruiva. Na imaginação eu conseguia sentir o cheiro dela, e sentir o toque dos lábios e ouvir o sotaque de mineira no meu ouvido, Havia uma música ao fundo, eu ainda não sabia qual, mas havia. Era só pensamento? Sonho? Realidade?

Provavelmente eu sonhava acordado com o amor, que pela primeira vez havia me encontrado, e eu ilusoriamente achei que era perfeito, seria eu e ela, ela e eu....

Mas o mundo é uma caixinha de surpresas e nem tudo que reluz é ouro. Entretanto isso é tema para nosso próximo capítulo...

Ps: talvez essa história seja baseada em fatos reais, talvez não.

Alexandre Oliveira


ADORÁVEIS EX - CAP. I

Capítulo I  - Entre a Morte e a Morena


Essa não é uma história de amor, mas uma história sobre o amor. Pensamos sempre no amor como construção de uma linda história com momentos memoráveis. 


A verdade que os momentos memoráveis não são necessariamente bons, mas são fundamentais para entender a complexidade humana e justificar o que por vezes tentamos esconder, somos mocinhos e somos vilões na mesma história.


Acho que quando adolescente assisti a muitas comédias românticas e me encantava com os finais felizes. Hoje vejo que me sentia bem com um final apoteótico em um romance que ficava no ar.


E talvez seja assim em parte, mas o fim do romance é o início da vida real. É complicado manter a história de amor frente as responsabilidades da vida, são poucos que conseguem superar as dificuldades e se manter no plano, e manterem-se juntos no plano.


Tive inúmeros encantamentos, poucos amores. Quando adolescente escrevia cartas, a cada ano elas eram rasgadas por garotas diferentes. Vivia a utopia do romance juvenil, abastecido pelo clichê cinematográfico do amor à primeira vista e do felizes para sempre.


O ano era 2002, eu recém havia voltado a estudar no CEJB. Após meses de greve do meu colégio anterior, decidi voltar ao colégio onde provavelmente havia sido mais infeliz até então.


A mudança parecia ter sentido, visto que era o único colégio público tendo aula naquele momento. Eu estaria perto de primos que estudavam no mesmo lugar.


De alguma forma eu sentia que seria apoiado. Na prática eu nunca estive tão isolado até então. Me sentia sozinho mesmo com pessoas ao lado. Foi quando descobri que é possível estar só, mesmo estando cercado por muita gente.


As coisas mudam quando conheço Letícia. Uma menina engraçada e desengonçada que chegou ao colégio no segundo semestre daquele ano.


Ela era falante e chegou ao colégio por meio de uma amiga que fazia teatro com ela. Elas eram muito amigas, e estavam apresentando uma peça de teatro chamada “O diário de Anne Frank”.


A peça era pesada, tratava de uma família judia escondida por um amigo durante o período dos nazistas.


O tema era sensível para a representação de adolescentes. E mesmo interpretada por um grupo de adolescentes de colégio público, havia ali uma força imensa.


Era um talento imenso, parecia brotar da natureza. Tinham interpretações épicas. E neste processo, eles começaram a ensaiar uma peça sobre uma família abalada pelo uso de drogas de um dos filhos.


Necessitavam de novos atores, e foi aí que entrei. Eu interpretei o pai do filho dependente químico. Era curioso porque eu tinha apenas 16 anos.


A este ponto eu era um esperançoso, alguém que por mais que trouxesse uma melancolia na mochila, tinha a esperança que o dia seguinte seria melhor.


Vale ressaltar, que quando entrei no teatro ainda sonhava com meu primeiro beijo. E se discutia à época o beijo na peça de teatro em questão.


Não queria beijar em uma peça, queria que o primeiro beijo fosse especial. Mas no mundo real as coisas nem sempre rolam assim.


Letícia tinha uma amiga de 13 anos, que já tinha uma vasta experiência em beijos de língua. Minha turma da escola havia feito uma reunião para me zoar por ser um “boca virgem”.


E em uma noite de inverno sai para minha primeira balada “adulta”. Meu irmão mais velho me levou. Nessa noite eu avistei uma garota, e fui pela primeira vez pedir para beijar alguém cara a cara, sem cartas e adjetivos, mas com verbos e olhos nos olhos, naturalmente tomei o meu primeiro “toco”.


Meu irmão gostava de levantar a moral dos irmãos, e contou para todos que eu beijei a tal garota depois de um desenrolo épico.


Naquela noite houveram ventos de mais de 120km em nossa cidade. Obviamente todos associaram o beijo ao fenômeno natural, e ninguém me deixou em paz, zoavam o tempo inteiro sobre este tema.


Eu envergonhado senti a pressão, e em uma caminhada após um ensaio do teatro, apelei e resolvi beijar a experiente beijoqueira de 13 anos, amiga de Letícia.


Ela que fazia papel da “morte” na peça que ensaiávamos, nem sequer trocamos uma palavra. Foi um beijo de olhos abertos, me lembro dos meus olhos estarem de frente para um poste de luz, e meus olhos doerem com tanto brilho. Me recordo que ela só me beijou porque eu já havia beijado outra, e nem fui eu que contei. Tentei desmentir várias vezes, ninguém acreditava. 


Quando terminamos não soube o que fazer, ia embora? Dava as mãos? Perguntaria seu filme favorito? Eu não fazia ideia, mas a parte boa dela ter uma certa experiência, era que ela sabia o que fazer e por sorte foi embora.


Depois daquilo a beijei mais uma vez, ela disse que estava apaixonada e eu estava com seu perfume favorito, perguntou se eu queria ser seu namorado, e eu disse sim, sobe pressão, mas disse sim.


Detalhe: eu fedia muito este dia, algo estava errado.


Me arrependi do “sim” ao andar na curva seguinte caminhando.


Nesse momento pensei que havia algum problema com a experiente morte beijoqueira. E por algum motivo voltei ao galpão do teatro naquela noite, e encontrei uma carta de outra menina do teatro.


Na carta ela declamava um poema e dizia que estava afim de mim. A garota era linda, tinha um baita sorriso, uma bela morena. E eu de melancólico esperançoso solitário, passei a ser um “galã” com duas opções.


Como em uma bela comédia romântica o protagonista não tem sorte na hora certa. Como eu diria sim a bela morena se já havia me comprometido com a morte beijoqueira antes?


Foi o dilema de uma noite inteira. Eu não era apaixonado por nenhuma das duas, mas me parecia mais interessante arriscar um beijo na bela morena e ver o que rolava. Fazia mais sentido arriscar no novo a dar mãos ao fúnebre relacionamento recém iniciado.


Pois bem, no dia seguinte fui conversar com a morte beijoqueira, que a essa altura já sabia o que eu pensava, e antes que eu tomasse a palavra, já me presenteou com meu primeiro pé na bunda.


Relacionamento terminado, era hora de me jogar no novo e de me arriscar ao beijo com a bela morena. Quando cheguei para a conversa, ela já tinha a notícia que eu tinha começado um relacionamento. Eu disse que havia terminado, mas não adiantou, a bela morena se sentiu preterida, e movida por um orgulho e amor próprio, disse que não queria ser a segunda opção de ninguém.


E foi assim que no mesmo dia tomei um pé na bunda de dois relacionamentos que nem existiram.


E foi naquele ano que aprendi que as vezes o mocinho da história se torna vilão através da sua falta de atitude na vida.


Mas o segundo semestre de 2002 estava só começando e mal sabia eu que o amor ainda bateria a porta pela primeira vez.


Mas isso é tema do próximo capítulo…


Ps: talvez essa história seja baseada em fatos reais, talvez não.


Alexandre Oliveira

quinta-feira, 27 de junho de 2024

As Vezes Você Só Foi Idiota Mesmo

Muita gente costuma dizer que não teve sorte e que o amor da sua vida não tocou a sua porta. 

Muitos dizem que se relacionaram com pessoas que não lhe deram valor suficiente.


Muitos dizem que hoje em dia não há pessoas interessantes o suficiente, e por esse motivo não querem conhecer mais ninguém.


Poucas vezes eu ouço alguém tomar a responsabilidade e dizer que perdeu as oportunidades que a vida lhe ofereceu.


Por isso vou contar algo👇🏻


Quase 20 anos atrás conheci uma linda gaúcha, nos conectamos imediatamente, a relação em princípio foi de amigos. 


No entanto passamos anos sem nos ver.

6 anos se passaram e ao nos reencontrar rolou algo interessante. Em seguida começamos a namorar, e ela era incrível, excelente pessoa, inteligente, linda, sexo melhor ainda.


E eu neste momento, vivia o auge de ser solteiro, as possibilidades de baladas, viagens e garotas a conhecer eram frequentes.


Me dei conta que ela queria viver um amor com uma pessoa, e eu nesse momento, queria conhecer minhas possibilidades.


Terminamos o namoro mas continuamos saindo. Depois de um tempo, notei que se eu não me afastasse, ela não poderia se apaixonar por outra pessoa.

Dito e feito, paramos de ficar, ela conheceu outro cara e estão juntos até hoje.


Eu me arrependo disso? Não, porque eu não tinha condições naquele momento, de entregar o que ela queria. 


E que sorte a dela de ter encontrado alguém que a completasse.


O que quero dizer é que as vezes, eu, você, ou qualquer outra pessoa age como idiota, e esta escolha nos faz perder alguém . Faz parte da vida.


A real é que a vida certamente te ofereceu ou está te oferecendo um amor de oportunidade. Aproveite! Mas não reclame que não teve sorte, as vezes você só foi idiotia mesmo, e não tem nada a ver com falta de sorte.


Alexandre Oliveira

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

AMOR PLATÔNICO

 

Me recordo de quando tinha 16 anos. Me encantei por uma magrela alta do teatro. Me recordo de desenvolver um sentimento sozinho, é o tal do “amor platônico”, aquele que só se desenvolve na sua cabeça.

Quando ela passava, eu prestava atenção, e as vezes abaixava a cabeça para que ela não se desse conta de que eu estava olhando. Havia ali uma certa de vergonha de admitir que eu gostava. A real é que todo mundo percebia, meu olhar era revelador, meu sorriso bobo ao vê-la era maior ainda, e cada vez que eu falava dela meus olhos brilhavam.

Eu tentava esconder, e era impossível, não havia como não notar. Eu sentia ciúmes quando um menino se aproximava dela, ficava sem reação quando ela me notava. Imaginava que cada movimento dela era pra de alguma forma falar comigo.

Me recordo de passar uns 2 anos nesse processo, pode parecer bobagem, mas eu era ingênuo, o sentimento era ingênuo. Existia uma inocência, o sonho de um beijo não realizado. O sonho de um querer mais que bem querer, que se concretasse em algo recíproco.

Não havia experiencia, traumas, nem sequer uma fadiga emocional que me fizesse desistir. Eu passava ao lado dela esperando ser notado, escrevia poemas que me faziam sentir artista, imergi em uma melancolia de algo não completado, de uma saudade de algo que não foi vivido.

Depois de 22 anos é saboroso notar aquele jovem, te digo de certo modo que tenho orgulho do seu genuíno sentimento e de sua capacidade de se iludir com o nada. Ele não sabia ser prático, ele só queria o amor recíproco. Ele não via regras, não analisava os motivos que o fariam sofrer, ou a forma como as relações se desgastariam com o tempo.

Esse jovem não previa um futuro incerto, não pensava quem ou o que tinha a garota, ele só a admirava e queria estar próximo, ele só queria compartilhar da sua companhia, queria escutá-la, ouvir seus anseios, a fazer rir, e se possível beija-la e ter seu coração disparado a 200km.

Não havia maldade, não havia preocupações sexuais, havia música. Havia a poesia das músicas que embalavam um possível romance, era a trilha sonora de algo não convertido. Não existia filhos, ex relações, não havia carga emocional da experiencia. Havia a simples felicidade de estar vivo só pela presença da outra pessoa.

Me recordo de guardar seu cheiro, de memorizar seus gostos favoritos. Me lembro de propositalmente lhe entregar músicas que tinham a ver com ela, mesmo que na minha cabeça tinham a ver com a gente. E em algum momento ela perceberia, ela notaria que o universo havia escrito uma sinfonia que ela não tinha prestado atenção.

E ela? Ela não olhava, não escutava, e não sentia o mesmo cheiro, não memorizava nada, porque na realidade, seus pensamentos estavam em outro mundo, seguiam em “Nárnia”. Seus pensamentos voavam do lado inverso ao do romance perfeito. Ela seguia por olhar o que não servia, insistia em provar o que não lhe fazia feliz, insistia na busca incessante do desconhecido, enquanto alguém tão perto a poderia fazê-la sorrir e brilhar como nunca.

Essa era a ideia, esse era o sentimento que tomava conta da cabeça, essa era a ilusão criada, a viagem platônica do ser não reconhecido, do sentimento não vivido, da inocência não compartilhada. Os sorrisos e os olhares que se completavam, talvez fossem obra daquilo que nunca se pudesse enxergar.

Ali não havia dor, só havia amor, só havia música, movimentos simples de uma valsa tão bem orquestrada, onde os passos se uniam de tal forma que só se permitiam completar, a conexão era insana, seria impossível não notar. E quem poderia?

Captar a simplicidade da vida exige um olhar ingênuo, entender o que de verdade faz seu coração vibrar, é o que faz da vida o descobrimento mais delicioso que existe. Conseguir ter seu olhar refletido no outro, lugar esse onde: olhos, boca e coração se conectam, é único. E não passa todo dia, e seu enredo é difícil de parar e seu nó, difícil de desatar. Há uma ansiedade que não cessa, uma paixão que arde sem se ver, e uma incerteza dentro de uma certeza. Era lindo, simples, poético e finamente real.

Afinal, é platônico, ou não é?!

 

Ale

terça-feira, 2 de janeiro de 2024

FILOSOFIA SOBRE O AMOR EM 2024

 

Existia da minha parte uma eterna vontade de se apaixonar. Mas com o tempo esse desejo, essa vontade foi diminuindo. O fato é, que as decepções nos moldam de tal modo, que desacreditamos em tudo que envolve o amor. Sinceramente não sei se é possível que exista um amor fiel a beleza de sua expectativa, mas gostaria que fosse possível. Um amor tão livre, que a liberdade do seu voo seja tão intensa, que só te reste a vontade de voar acompanhado somente dela, e que assim seja reciproco.

Uma pessoa onde a leveza da relação se dê na sinceridade da troca, na troca de olhares apaixonados, onde se contempla e admira. Um olhar que leva a sorriso bobo, e uma atenção de notar todo o tempo o quão incrível é estar a dois. Que tenha uma química insana, onde a atração dos corpos se dá na conexão intelectual que possuem. Alguém que não se possa desgrudar mesmo que o possa. Alguém que seja difícil dizer tchau, que não te permita que as despedidas sejam rápidas. Uma pessoa que tenha tanta vontade de estar contigo e você com ela, que o ato de ceder se torna natural a ela, e que você igualmente ceda e entenda que não há outro modo de se relacionar.

A vida não é para se estressar todo o tempo, não há graça na eterna irritação, mas as vezes essa pessoa nos tira a paciência, nem tudo é perfeito. E se “odeia por quase um segundo e depois se ama mais”. A beleza dessa relação nos leva a acreditar que tudo pode ser melhor, ela nos motiva, nos eleva e nos transporta a um lugar de fantasia, onde a realidade mais impossível ganha possibilidades infinitas.

Relações são para somar, para nos levar a um lugar que não chegaríamos só, e a chama de um amor recíproco nos leva a fazer coisas que nem imaginávamos, nos leva a voos que fazem sonhos se tornarem realidade, pois a motivação impulsa a magia dos desejos mais profundos.

Todos têm defeitos, mas se aceitam, se redefinem, se escutam, se falam, se entendem. Por vezes se discute acaloradamente, mas se mantém o respeito. Nesta história o medo desaparece, e a ansiedade de estar é continua.

Se conta os segundos para estar junto, a saudade é contínua, se anseia na imaginação. Sonha-se acordado, se ri com o inimaginável. Músicas e poesia passam a fazer sentido e a arte se torna mais bela, não há limite, não há dor que a alcance e não há problema que não se possa solucionar.

Relações não são para suportar, mas para conviver. O drama não é da imperfeição, mas vem da incapacidade de escutar e se escutar. As respostas vêm da alma de uma tal maneira que frases soltas podem encontrar as respostas que busca.

O pronome muda do “eu”, para “nós”. Não há assunto que não possa ser falado, não há desabafo que não possa ser feito. A regra aqui é compartilhar. A vida é para ser compartilhada, se relacionar é entender isso, e tem a ver com manter sua independência e compartilhar sua vida por escolha, e não por dependência.

Amar é primeiro de tudo a conexão que se estabelece, e depois a escolha que é feita. Óbvio que não há escolha sem conexão, não ´há paixão sem que a faísca do fogo tenha acendido. Essa conexão não se explica, muitas vezes não se entende o porquê, e a admiração só cresce, existe ali um prazer em olhar, sorrir e, admirar o muitas vezes incompreensível sentimento que te toca.

Não adianta amar e não se aventurar, não adianta amar e não ceder, não adianta amar e não escutar, não serve amar sem que se compartilhe a vida.

Se o propósito não é estar junto, então nem se deve tentar. Cada um deve ter sua vida, ter seus amigos, seu trabalho. Mas a escolha de estar junto é o que faz terem os mesmos objetivos, e realizar os mesmos sonhos.

E não se pode esquecer de manter, a aventura que os uniram, sempre presente. A vida não é só assistir televisão e comer macarronada no fim de semana. Relacionamento é sim uma planta, e deve ser regado todos os dias. E estou seguro de que a monotonia mata qualquer relacionamento.

Não sei se os opostos se atraem ou os semelhantes se curtem mais. O que sei, é que nesta fórmula, ambos devem querer chegar no mesmo lugar. E claramente tem que curtir e desfrutar disso. A caminhada não é sobre a chegada, mas sobre viver o processo.

Se eu esperar só o fim para ser feliz, o que valeu apena?

Se apaixonar é se manter vivo, o ruim é quando não há reciprocidade. Mas se não há reciprocidade, não há que dar muita atenção, pois em algum momento aquele amor real, chega, e aí é só curtir cada pedacinho dele. O Amor é para quem se arrisca, para quem se aventura, e para quem entrega tudo de si.

Há que ter a fé, e notar o que se tem em volta e se aventurar no que é real. O medo de perder tira a vontade de ganhar, o amor é uma dinamite, ao explodir tem que saber agarrar essa explosão e disfrutar dela.

Ale

segunda-feira, 27 de junho de 2022

O AMOR: UMA DISCUSSÃO ALEATÓRIA

Plena aula de Relações Internacionais na turma de mestrado do curso de Ciência Política da Universidade Nacional de La Plata na Argentina. E eis que surge uma questão aleatória ao tema da aula, e o professor questiona, o que é amor?

Eu abusado que sou, ousei dissertar sobre uma possibilidade de resposta. Confesso, o caminho que escolhi e o exemplo que utilizei foi romântico demais e pouco realista. O que me fez passar um pouco de vergonha na exposição. E em contrapartida me fez tentar aprofundar o tema em uma reflexão que se transpõe para o texto de hoje.

Na aula, eu disse que o amor é quando você pensa tanto em alguém, que não consegue mais pensar em outra coisa. É quando tudo que você vive, te trás o pensamento para ela. É quando você só espera estar junto, não importa como e nem sequer aonde. É quando se anseia estar junto da outra pessoa mais do que estar com qualquer outra.




Nando Reis tem uma canção que expressa exatamente o que expus nesta fala: “espero que o tempo passe, espero que a semana acabe, pra que eu possa te ver de novo, espero que o tempo voe, para que você retorne, pra que eu possa te abraçar e te beijar de novo”.

Sim, todos riram de mim. Acho que eu mesmo ri de mim. Meu professor me contestou dizendo que não crê um amor monogâmico, e que ele pode amar várias pessoas ao mesmo tempo sem a necessidade de se sentir preso em pensamento com outra.

E ele está certo, isso é possível. Mas ao mesmo tempo eu não fiz um discurso em defesa do amor monogâmico como única opção. Eu apenas expus o que me veio a cabeça em um primeiro momento, mas esqueci que o amor é amplo, não se trata necessariamente do amor de uma comédia romântica.

Amar implica em não esperar nada em troca. O “amar” pode estar em várias pessoas da sua vida, amigos, família, e em alguém que se tenha esse “amor romântico”. O amor é expansivo, exclusivo em certo ponto, mas sobrepõe a barreira da física.

Talvez uma das melhores definições de amor está nos escritos de Luis de Camões “amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer. É um não querer mais que bem querer. É um andar solitário entre a gente, é nunca se contentar de contente; É um cuidar que se ganha em se perder.

Amor é relativo, é construtivista, e realista. Amor é profano, é divino. Amor é simples e complicado.

Depois de tantas exposições, eu ganhei algumas certezas. A primeira é que o amor pode estar nos mais simples gestos de pessoas, animais e Deus. A segunda é que cada um tem sua forma de amar, e o que você tem que decidir é se a forma de amar do outro te serve. A terceira é que amor dos outros não se julga, não se questiona, se entende, se compreende, se aceita ou não. Em quarto lugar penso que o amor trás paz, tranquilidade, esperança e estabilidade. O que te tira do prumo e os pés do chão não é amor, é a paixão.

E por último quem ama não tem dúvidas, simplesmente ama, não pensa. O amor não é o problema, não ser amado é que um grande problemão. 

Contudo, ódio e amor andam próximos, e parafraseando o cantor Leoni “as vezes te odeio por quase um segundo, depois te amo mais”.

Sim, as vezes se odeia, e em seguida se ama mais, isso pode acontecer, mas não dissocia o amor de sua ilusão, pelo contrário ele o aproxima da sua realidade humana


Não há nada melhor que ouvir um eu te amo. E você já ouviu um eu te amo hoje?


por Alexandre Oliveira

segunda-feira, 20 de junho de 2022

O AMOR É PARA OS DESPLUGADOS

 

Deu ruim para mim e talvez pra você!

 

Há exatos 20 anos, eu um jovem romântico tasquei meu primeiro beijo, e na segunda ficada da vida, aiii, eu me apaixonei pela primeira vez.  Naturalmente sofri a primeira decepção logo de cara, disse eu te amo de cara e ferrei tudo. O que de certa forma demonstrou um nível de dramaticidade alto da minha parte.

 

Com o passar dos anos vieram os primeiros namoros, as experiências de amores intensamente vividos, os períodos de solteirice plena, que alíás deram o tom do quão é importante se amar e curtir os amigos. Vivendo assim experiências variadas para valorizar estar junto de alguém.

 

Mas confesso que achei que quando tivesse 28 anos, o jogo estaria definido. Nesse momento o amor já teria sido encontrado. E o “felizes para sempre” já estaria em curso. E a aposentadoria das “noitadas” seria realizada com soberba alegria.

 

Aí eis que a vida nos surpreende, eu me separei depois de anos com a mesma garota. O jogo que achei que estaria definido, foi brutalmente forçado a recomeçar.

 

No entanto hoje é diferente, aos 36 anos, meus melhores amigos se casaram, tem filhos e a vida de casal tradicional para eles se tornou realidade. Interessante perceber que eles viveram suas vidas de solteiro com tanta intensidade, que acho que não priorizaram o “amar e ser amado”.

 

É curioso mas ao mesmo tempo é a lógica da vida, quando desplugamos, o amor acontece. E no curso do tempo, o que meus amigos não focaram, aconteceu! E o que eu foquei, não aconteceu, e sim, pode não parecer, mas essa é a lógica mais exata da vida.

 

O amor é para os distraídos, não para os atentos, o amor é para os desplugados, não para os conectados. Conectar é para quando se envolve, não antes de conhecê-lo.




 

Em contrapartida reflito que há anos, trabalhei em uma peça de teatro cujo um dos personagens questionava o que era o “feliz para sempre”? Dizia ele: “será que ser feliz para sempre é casar-se, ter filhos, comer macarronada aos domingos e assistir televisão deitado no sofá?”

 

Pois é, hoje sabemos que é possível ser feliz das mais variadas formas, pode ser se apaixonando, casando-se, tendo filhos, não tendo filhos, não se apaixonando, não se casando, ou mesmo curtindo sua vida de solteiro até o dia de sua morte.

 

O que tiro dessa experiência, é que a idade ou seu estado civil, são formas de controle social. São formas de evitar maiores questionamentos. E a felicidade é muito pessoal, cada um tem sua forma de ser feliz, e não importa o que a sociedade diga, só quem entende sobre a sua felicidade é você mesmo(a). Já dizia o poeta, antes só do que mal acompanhado, e na boa, o amor não é para profissionais, o amor é para amadores, é para os ingênuos. E se isso te interessar siga esse conselho, do contrário não se apaixone!

 

Para quem tem interesse em ser feliz, se apaixonar só é uma boa quando há reciprocidade, e mesmo assim, o tal “felizes para sempre” não é garantido, cada dia é um dia diferente e há de se adaptar juntos.

 

Por fim, entendam, não critique a felicidade de alguém, o contexto dela é diferente do seu. Aprenda a respeitar a felicidade alheia. Mesmo que seja diferente da tua. E lembre-se: quer se apaixonar e fazer dar certo, então há que se desplugar, para quando encontrar quem se ama, se conectar por inteiro.


por Alexandre Oliveira